quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

MARGINAL




O poeta, em Norte, é fingidor
O poeta, no Sul, é sonhador
O poeta, com seu pó, é criador.

O -eta não escolhe o po-,
Nem a -sia escolhe o -eta.
São duas margens que se encontram
Pelo em pelo, pó e isa, pó com eta.

Tudo parece ser tão óbvio
E ao mesmo tempo confusão.
Os dois se unem em sentimento e razão.

Não são marido e mulher, nem namorados.
São mais que amigos, mais que casados.
São duas margens, entrelaçados de explosão
salivas, sensação e secreção.

São quente e frio num mesmo sufixo de –dor
Coisas que só da distância germinou.
São sonhadores de afazeres e vazios
São Norte e Sul, batendo asas de desvios.

Eles não são mais dois, são três!
Não são mais três, são um!
São dez, são mil, são três em hum!

A margem que os separam é flexível e rigidez
Permite fingir, sonhar, criar um três
Terceira Margem do rio,
E rio do rio em rio.

O rio lava, o vento leva, o tempo reza.
A Terceira Margem nasce, cresce e segue em curvas e retas.

Nasceu marginal, uma beleza.
Natureza de palavra criada em letra.

Nem amigos-namorados, nem casal.

A terceira margem é somente um marginal!

20/06/2014
      2h

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