terça-feira, 19 de janeiro de 2021

ESTAMOS LONGE...

 

E em mais um ano não houve Natal. Fatal é essa distância, silêncio e desesperança...

Enquanto muitas relações são renovadas na energia do período natalino, nas palavras de ternura e abraços de carinho... Outras relações são silenciadas pelo não sei o quê (...) talvez medo, vergonha, dor, desprezo (...) ou quem sabe o encontro do Natal tenha apenas se diluído em outras datas do calendário e assim não se tenha esperado para sorrir somente durante a noite feliz.

Eis o Natal inclusivo e irmanado, imerso ao banal e pueril afago, ao sorriso e a tão frágil luz que não se mantém até a cruz. Eis a família, o afeto e seus desacatos, a triste obrigação dos endividados e a fatal indiferença dos encarcerados.

Presos a relações aparentes e virtuais conexões estamos fadados a viver um eterno discernimento dos que mais importam para sentar-se a mesa, dividir a ceia, o beijo, a seiva.

Estamos longe de compreender o Natal. Essa noite/dia tão especial do encontro de amantes.

Natal é presença e é ausência. Natal é Cruz e também é Luz. Mas fatal é, sobretudo, se não ousarmos alimentar este paradoxo em nossa história e silenciarmos diante da potência e da ternura, da arte e da fragilidade d’Aquele que em nós habita.

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